"Qual é a distância a percorrer entre o
querer e o fazer? A minha vontade encontra-se diante de um mundo de
possibilidades, como se este fosse uma oportunidade contínua de fazer de cada
dia algo mais verdadeiro e mais autêntico. No fundo, vou sabendo mais ou menos
claramente aquilo que quero e que me realiza. E as pequenas decisões que tenho
de tomar estarão, em princípio, orientadas para esse fim.
Mas dou-me conta que aquilo que desejo
verdadeiramente e aquilo que quero fica por vezes bastante longe de coincidir.
E à medida que passa o tempo, sem ver resultados significativos dos meus
esforços, acabo por desanimar, até desistir. Muitas vezes, penso que desejo
muito coisas impossíveis e desejo pouco coisas possíveis. Vivo nesta tensão
entre dar passos de gigante ou passos mais pequenos. E, ao mesmo tempo, vivo
esta tensão de dar novos passos, ou ficar sempre no mesmo sítio, com aquilo que
já está adquirido.
Onde me dou conta que o bem que quero
realizar para mim, de facto não acontece? Onde é que querer e fazer não
coincidem?
As minhas acções terão de ser motivadas
por uma disposição profunda que é capaz de ser persistente e assente em algo
que de algum modo, nunca me poderá faltar. A origem da boa vontade não é algo
arbitrário e que acontece ao sabor dos dias e das circunstâncias. Uma vontade
que seja capaz de se realizar, parte de uma certeza: a de que a vida existe
para espalhar a minha bondade essencial e a luz que apenas eu posso irradiar.
É fundamental para viver bem ter
prioridades, definir uma hierarquia de prioridades, e assim, por exemplo, não
pôr em quarto lugar o que devia vir em primeiro, e vice-versa. Mas também é
importante ver se as nossas prioridades teóricas coincidem com as prioridades
práticas. Muitas vezes não coincidem. Digo que o mais importante da minha vida
é esta pessoa ou aquela situação… mas depois a nada disso dou sequer
cinco minutos do meu dia. Quer dizer, na prática não é o mais importante da
minha vida. Já alguém dizia que a maior distância é a que vai da
cabeça ao coração."




